Lendas do Futebol - Roberto Carlos

Roberto Carlos Jogo Canal
David Ruddell modified by SuperManu, CC BY 2.0 , via Wikimedia Commons

Roberto Carlos da Silva Rocha nasceu no dia 10 de abril de 1973, em São Paulo, no Brasil. O seu nome foi escolhido em homenagem ao cantor Roberto Carlos. O seu primeiro contacto com o futebol surgiu nos Jogos Abertos do Interior, quando o brasileiro foi convidado a representar a sua cidade.

A sua carreira começou no União São João na época de 1991/92. Foi nessa altura que Roberto Carlos começou a jogar pela lateral esquerda tendo sido convocado para a Seleção Sub-20 devido aos seus bons desempenhos. O lateral participaria numa excursão do Atlético Mineiro à Europa, numa espécie de empréstimo. O brasileiro faria apenas três jogos pelo clube mineiro, todos em Espanha.

Palmeiras

A sua primeira grande oportunidade no Brasil surgiria ao serviço do Palmeiras onde jogou duas temporadas. Roberto Carlos sagrou-se Campeão Brasileiro em ambas as temporadas. Esteve quase a assinar pelo Aston Villa. No entanto, a sua carreira continuaria em Itália, ao serviço do Inter de Milão. O lateral disputou 185 jogos pelo Palmeiras e fez 20 golos. Foi muito importante ao ajudar a equipa a quebrar o jejum de títulos que durava há 16 anos

Inter de Milão

A sua transferência para o Inter aconteceu em 1995 por 7 milhões de dólares, uma quantia avultada naquela altura. Já era conhecido pela sua potência de remate e pela vontade de subir no terreno para ajudar a equipa nos momentos mais ofensivos. E foi precisamente por isso que Roy Hodgson, o treinador do Inter, decidiu começar a usar Roberto Carlos como extremo-esquerdo algo que não ajudou na sua adaptação ao clube.

Roberto Carlos estreou-se com um logo na estreia, contra o Vicenza, golo que garantiu a vitória dos Nerazzurri. O brasileiro ficaria em Itália apenas uma época e saiu no meio de uma transferência estranha: o Inter ficaria com Zamorano, um atacante experiente de 30 anos vindo do Real Madrid e o jovem brasileiro de 23 anos faria o caminho inverso.

O lateral disputou 34 jogos ao serviço do Inter e marcou sete golos.

Real Madrid

Roberto Carlos chegou ao Real Madrid em 1996 e agarrou de imediato a titularidade como lateral esquerdo da equipa madrilena. Desde 1996/97 até 2006/07, foi sempre a primeira opção no lado esquerdo da defesa. O seu primeiro título pelos Merengues chegou logo na primeira época com a conquista de La Liga. Nesse mesmo ano, ganhou a Supertaça Espanhola.

Em 1997/98, Roberto Carlos conquistaria o seu primeiro título europeu com uma vitória na Liga dos Campeões, a primeira de três (1999/00 e 2001/02). Ganhou ainda a Taça Intercontinental nessa temporada.

Sagrou-se campeão de La Liga mais três vezes (2000/01, 2002/03 e 2006/07). Venceu mais duas Supertaças de Espanhas, uma Supertaça Europeia e mais uma Taça Intercontinental.

Roberto Carlos teve vários jogos marcantes ao serviço dos Blancos. Foi dos pés do brasileiro que saiu a assistência para o golo magistral de Zidane na final da Liga dos Campões, em 2002. Mas o seu maior momento foi o golo marcado na Taça do Rey contra o Tenerife com um remate poderoso perto da linha lateral.

O brasileiro foi escolhido como o Melhor Defesa do Ano em 2002 e fez parte da Equipa do Ano da UEFA em 2002 e 2003. É o jogador estrangeiro com mais jogos disputados pelo Real Madrid tendo ultrapassado o lendário Alfredo Di Stéfano.

A sua saída do Real Madrid aconteceu em 2007. Na segunda mão do jogo dos oitavos de final da Liga dos Campeões, Roberto Carlos não controlou bem o passe que recebeu depois do apito inicial. A perda de bola levou Roy Makaay a marcar o golo mais rápido da Liga dos Campões (10.12 segundos). Roberto Carlos foi duramente criticado até porque o Real Madrid acabaria por ser eliminado pelo Bayern de Munique. No mesmo mês, o lateral anunciou que sairia do Real Madrid no final da temporada, altura em que o seu contrato expirava. O seu último golo pelo Real foi contra o Recreativo de Huelva. Com três jogos para disputar e com o campeonato por definir, esse golo ajudou o Real Madrid nas suas aspirações de conquistar La Liga. O seu último jogo foi no Santiago Bernabéu, com uma vitória do Real Madrid por 3-1.

Roberto Carlos disputou 527 jogos ao serviço do Real Madrid, marcou 70 golos e fez 101 assistências.

Fenerbahçe

Depois de ter anunciado a sua saída do Real Madrid, Roberto Carlos assinou um contrato válido por duas temporadas com o Fenerbahçe, os campeões da Liga Turca. A sua apresentação aconteceu no estádio, com milhares de fãs a assistir nas bancadas. No seu jogo de estreia, a equipa turca venceu a Supertaça num jogo contra o Besiktas.

            Roberto Carlos faria a sua estreia a marcar num jogo da liga contra o Sivasspor, num cabeceamento, algo que não era de todo a especialidade do lateral que só marcou três golos de cabeça durante toda a carreira. O brasileiro lesionou-se no final da temporada e falhou a corrida ao título. O Fenerbahçe acabou mesmo por não conseguir vencer o campeonato perdendo para os rivais do Galatasaray. Ainda assim, conseguiram uma vaga para disputar o playoff de acesso à Liga dos Campeões.

            Em outubro de 2009, Roberto Carlos anunciou que não renovaria contrato com a equipa turca e que abandonaria o clube em dezembro desse mesmo ano. Ofereceu-se para voltar ao Real Madrid e jogar de graça. Também colocou a hipótese de regressar ao Brasil. O seu último jogo pelo Fenerbahçe foi no dia 17 de dezembro, numa partida contra o Sheriff Tiraspol para a Liga Europa.

            Ao serviço dos turcos, o lateral jogou 104 partidas, fez 10 golos e 10 assistências.

Corinthians

Roberto Carlos acabou por regressar ao Brasil e embora alguns adeptos estivessem à espera de o ver voltar para o clube que o viu nascer, o Palmeiras, o lateral esquerdo juntou-se a Ronaldo no Corinthians. O seu primeiro golo contra o Internacional ajudou o Timão a chegar ao topo da tabela do Campeonato Brasileiro. O seu melhor golo pelo Corinthians foi num jogo contra a Portuguesa, ao marcar diretamente de um pontapé de canto.

            Depois da eliminação da Libertadores, Roberto Carlos foi ameaçado por adeptos e começou a temer pela sua segurança. Com receio das represálias, pediu à direção do Corinthians para sair. Saiu com 44 jogos disputados, 1 golo marcado e 8 assistências.

Anzhi Makhachkala

Em fevereiro de 2011, já com quase 39 anos, Roberto Carlos assinou um contrato de dois anos com a equipa russa do Anzhi Makhachkala. Já sem o vigor de outros tempos e sem conseguir fazer as suas arrancadas pela lateral esquerda, Roberto Carlos jogou sobretudo como médio defensivo e tornou-se capitão da equipa russa. O seu primeiro golo foi contra o Dinamo de Moscovo, na conversão de um penálti.

            No final da sua primeira temporada na Rússia, Roberto Carlos tinha participado em 28 jogos e marcou 5 golos. No início da temporada seguinte, o brasileiro foi escolhido para substituir Gadzhi Gadzhiyev, ainda que temporariamente, como treinador interino.

            Roberto Carlos anunciou que iria terminar a sua carreira no final de 2012, mas continuaria a trabalhar no Anzhi. Contudo, o brasileiro juntar-se-ia aos Delhi Dynamos (hoje em dia Odisha FC), uma equipa da Superliga Indiana, onde faria alguns jogos no papel de treinador-jogador. Disputou apenas três jogos.

Seleção Nacional

Roberto Carlos estreou-se na seleção canarinha em 1992 num jogo em Wembley contra a Inglaterra. Ajudou o Brasil a conquistar a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996. No ano seguinte, o lateral fez parte da Seleção na disputa da Copa América onde o Brasil se sagrou campeão. Com esse título, os brasileiros disputaram a Taça das Confederações e venceram a competição.  

O lateral foi convocado para o Mundial de 1998 na França e não conseguiu ajudar a seleção a vencer a final contra os gauleses. O Brasil acabaria por vencer a Copa América no ano seguinte. No entanto, a verdadeira redenção dos brasileiros viria quatro anos depois com a conquista do Mundial 2002. Roberto Carlos disputou todas as partidas e ainda fez um golo.

O Mundial de 2006 marcaria a despedida de Roberto Carlos com a camisola do Escrete. O Brasil caiu nos quartos de final, contra a França e Roberto Carlos foi duramente criticado por não ter marcado corretamente Thierry Henry, autor do único golo da partida. O anúncio do adeus surgiu na ressaca da eliminação.

Até hoje muita gente considera que o melhor golo da carreira de Roberto Carlos foi marcado ao serviço da seleção, num jogo contra a França, em 1997. E não há nenhum adepto de futebol que nunca tenha visto as imagens do potente remate de Roberto Carlos a mais de 30 metros da baliza em que a bola parece desafiar as leis da física antes de bater nas redes.

Em 2010, Roberto Carlos disponibilizou-se a voltar ao Escrete juntamente com o “Fenómeno” Ronaldo, mas Dunga que jogou com ambos em 1998, não convocou os ex-colegas para o Mundial.

Roberto Carlos é o segundo jogador com mais internacionalizações pela Seleção Brasileira (125). Marcou 11 golos ao serviço do Escrete.

Pendurar as chuteiras

Depois de ter sido treinador-jogador no Anzhi, Roberto Carlos voltou a Madrid para treinar as camadas jovens do Real em 2012/13. O seu primeiro trabalho como treinador de séniores foi no Sivasspor, ainda na Turquia, em 2013/14. Teve uma boa primeira temporada, com o clube a conseguir um 5º lugar na Liga Turca. Roberto Carlos foi eleito o Melhor Treinador da Turquia. Contudo, a segunda temporada do brasileiro ao leme do Sivasspor não começaria muito bem e Roberto Carlos saiu depois de uma rescisão mútua de contrato.

Em 2014/15, o ex-jogador assinou pelo Akhisar Belediye, também da Turquia. Liderou a equipa durante 20 jogos até à sua saída. Depois disso, assumiu o papel de treinador-jogador pelos Delhi Dynamos em 2017/18. Nessa mesma temporada, esteve ainda ao serviço da Seleção de Marrocos como conselheiro e hoje em dia trabalha no Real Madrid.

Roberto Carlos é considerado um dos melhores laterais de sempre e um dos pioneiros (juntamente com Cafu) naquilo que são os laterais ofensivos do futebol atual.

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