Lendas do Futebol - Luís Figo

Lendas do Futebol - Luís Figo
Biser Todorov, CC BY 4.0 , via Wikimedia Commons

Luís Filipe Madeira Caeiro Figo nasceu a 4 de novembro de 1972, em Almada, Portugal. Quando era jovem começou por jogar futsal, algo que o ajudou a desenvolver algumas técnicas para a sua carreira de futebolista. O seu primeiro clube foi o U.F.C. Os Pastilhas, tendo depois ingressado na academia do Sporting Clube de Portugal onde começou a despontar definitivamente para o desporto-rei.


Sporting Clube de Portugal

Estreou-se pela equipa principal dos leões em 1989-1990 e acabou por disputar três jogos nessa época. Venceu uma Taça de Portugal ao serviço do Sporting na época de 1995. No total, realizou 161 jogos e marcou 23 golos. Não demorou até suscitar o interesse de grandes clubes.  Figo acabou por ser alvo de uma suspensão por parte da Federação Italiana de Futebol durante dois anos por ter acertado acordos com dois clubes em simultâneo, o Parma e a Juventus.


Barcelona Fútbol Club

Figo chegou a Barcelona para integrar um plantel com muitas estrelas como Guardiola, Hagi e Popescu. Foi também a última época de Cruijff ao leme do Barcelona. A transferência ficou acertada por 2,5 milhões. O médio português ficou na Catalunha durante cinco épocas. Fez 248 jogos, 45 golos e 58 assistências com a camisola dos Culés. Ganhou dois campeonatos espanhóis, duas Copas del Rey, duas supertaças espanholas, uma Taça das Taças e uma Supertaça Europeia. Recebeu diversos prémios individuais e foi uma das referências da equipa blaugrana. Chegou a jogar com outros jogadores portugueses como Vítor Baía e Fernando Couto. No entanto, a sua passagem pelo clube catalão ficou marcado por uma das maiores polémicas do futebol na década de 90.

 

Real Madrid

Em julho de 2002, o mundo do futebol ficou virado do avesso quando o Real Madrid contratou Figo ao bater a sua cláusula de rescisão de 62 milhões de euros. Esta transferência deu o mote para a formação d’Os Galácticos, que marcaram uma era do futebol do Real Madrid. Muitos dizem que Luís Figo foi o primeiro Galáctico.

Nesse mesmo ano, Figo recebeu a Bola de Ouro, tornando-se no segundo português a conquistar tal feito depois de Eusébio. O prémio veio agravar ainda mais as críticas porque muitos consideravam que a Bola de Ouro era fruto da última época que Luís Figo tinha feito pelo Barcelona.

O momento mais quente surgiu quando Figo regressou a Camp Nou equipado de branco. Ao redor do estádio havia tarjas com mensagens de ódio: “traidor”, “Judas”, “mercenário” e “escumalha”. Os adeptos blaugranas não pouparam o português mal o viram a sair do túnel. Mas as faixas e os cânticos não seriam a coisa mais estranha a acontecer ao médio português.

No ano seguinte, novamente em Camp Nou, Luís Figo preparava-se para bater um canto (algo que não tinha feito na primeira vez que defrontou o Barcelona) quando começaram a chover objetos da bancada. O canto demorou dois minutos a ser marcado. Surgiu novo canto do outro lado na sequência da jogada e enquanto Luís Figo corria para marcar a bola parada, choveram mais objetos. O jogo foi suspenso durante 20 minutos pelo árbitro da partida. Durante este período, surgiu umas das imagens mais icónicas (ainda que pela negativa) da carreira do português quando perto de si caiu a cabeça de um porco.

Figo jogou pelos Merengues durante cinco temporadas. Teve companheiros de renome como Zidane, RonaldoBeckhamRoberto Carlos, Raúl e Casillas. No clube madrileno arrecadou uma Liga dos Campeões, uma Supertaça Europeia, uma Taça Intercontinental, dois campeonatos espanhóis e duas supertaças espanholas (para além da Bola de Ouro que, apesar da polémica foi conquistada enquanto jogador do Real Madrid). Ao serviço do Real Madrid fez 245 jogos e 56 golos e 93 assistências.

 

Inter de Milão

Já com 33 anos, Luís Figo acabou por deixar o Real Madrid em 2005, a custo zero, para juntar-se ao Inter de Milão. Parecia que afinal estava mesmo nas cartas que o médio português jogasse em Itália. Lá também teve a  companhia de outros portugueses como José Mourinho e Ricardo Quaresma. O estatuto de ídolo de Luís Figo manteve-se, embora já não estivesse no auge da sua carreira. Pelos Nerazzurri, Figo fez 140 jogos, marcou 11 golos e fez 29 assistências. Conquistou quatro campeonatos de Itália, uma Taça Italiana e três supertaças.

O português acabou a sua carreira no clube italiano num jogo contra a Atalanta onde foi capitão da equipa por insistência de Zanetti. O jogo foi disputado em San Siro e Figo recebeu uma ovação estrondosa ao ser substituído.

No adeus, Figo afirmou que estava a despedir-se do futebol, mas não do Inter, tendo ficado a trabalhar no clube e estado presente na vitória da Liga dos Campeões com Mourinho ao leme da equipa italiana.


Seleção Nacional

É impossível falar da carreira de Luís Figo sem falar do seu percurso na Seleção Nacional. Em 1990, ao serviço da seleção sub-20, em pleno Estádio da Luz, num momento que ficaria para a história do futebol nacional, Portugal conquistou o Campeonato do Mundo Sub-20. Figo fez parte da inesquecível “Geração de Ouro” que contava com outros nomes como Fernando Couto, Rui Costa, João Vieira Pinto e Jorge Costa.

Muitos membros dessa Seleção Nacional ajudaram Portugal a tornar-se uma presença assídua nas fases finais das competições internacionais. A partir de 2000, Portugal não falhou a presença em nenhuma fase final. Figo foi durante muito tempo um dos pilares da seleção, tendo estado presente nos Euros 2000 e 2004 e nos Mundiais de 2002 e 2006. Este último quase não contava com a presença de Figo que tinha anunciado a sua intenção de não jogar mais com a camisola de Portugal depois da derrota contra a Grécia na final do Euro 2004. Felizmente, decidiu continuar a jogar e foi uma peça muito importante da cavalgada portuguesa até às meias-finais do Mundial. O seu último jogo pela Seleção Portuguesa foi ainda no Mundial de 2006, no jogo de decisão do 3º classificado, em que Figo até fez uma assistência para o golo de Nuno Gomes. O número sete passou então para Cristiano Ronaldo e é caso para dizer que ficou bem entregue.

Luís Figo teve um total de 127 internacionalizações, 32 golos e 26 assistências. Assumiu a braçadeira de capitão e ofereceu-nos momentos memoráveis com a camisola portuguesa apesar de nunca ter conquistado nenhum título pela Seleção A.


Depois do adeus

Em 2004, Luís Figo foi eleito Oficial da Ordem do Infante D. Henrique. É presidente da Fundação Luís Figo que conta com várias academias de futebol e é presidente do “Conselho das Quinas de Ouro” da Federação Portuguesa de Futebol. Em 2015, candidatou-se à presidência da FIFA, mas acabou por não conseguir o cargo. Em 2017, tornou-se conselheiro do presidente da Uefa, Aleksander Ceferin.

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